segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

ÂNGELA MARIA A GRANDE DAMA DA CANÇÃO

Abelim Maria da Cunha nasceu em Conceição de Macabu, na época distrito de Macaé (RJ), no dia  13 de maio de 1928. Filha de pais batistas, a menina Abelim cantava no coro da igreja freqüentada pelos pais e seus nove irmãos e já nessa época encantava com sua voz. 

Com a mudança da família para o Rio, trabalhou numa fábrica e como testadora de lâmpadas da GE. Enquanto trabalhava cantava alto, o que levou as colegas a incentivarem-na a procurar os programas de calouros das Rádios. Entre esses programas estavam o Hora do Pato, apresentado por Jorge Curi, Calouros em Desfile, apresentado por Ary Barroso e Papel Carbono, apresentado por Renato Murce. Todas figuras importantes no início da carreira da cantora. 

Dos programas de calouros, Ângela passou a cantar na boate Dancing Avenida, no centro do Rio. Lá, foi ajudada pela cantora Helena de Mayo, que lhe emprestava sapatos e roupas para suas apresentações. Foi ali também que ela conheceu seu padrinho artístico, o compositor baiano Erasmo Silva, que a apresentou ao diretor da gravadora RCA e da Rádio Mayrink Veiga, Gilberto Martins. Nesta rádio conheceu o compositor Cyro Monteiro, que lhe daria as primeiras músicas por ela gravadas.  Seu primeiro disco gravado data de 1951. Outro compositor muito importante para Ângela Maria nessa época foi Othon Russo, autor de seus primeiros sucessos.  

A carreira da cantora seguiu vitoriosa com sucessos retumbantes como Vida de Bailarina, Balada triste, Orgulho, Fósforo Queimado, Nem Eu, Lábios de Mel, Babalu, entre muitos outros. Em 1954 foi coroada a Rainha do Rádio e em 1969 foi considerada pelo IBOPE a cantora mais popular do Brasil.

Fiel a um repertório romântico, Ângela Maria é uma cantora que sobreviveu a muitas tendências, inclusive a Bossa Nova, o rock, a Jovem Guarda e à invasão das músicas estrangeiras nos anos 1970, década em que emplacou sucessos como Tango Pra Teresa, Vá Mas Volte, A Noite e a Despedida, Atrás da Porta, Gente Humilde, Cinderela, Moça Bonita, Falhaste coração, Canto Paraguaio e Moça Branca da Favela

Muitas vezes seu repertório sofreu severas restrições de críticos mais intelectuais, dado o grande volume de gravações e músicas nem sempre de boa qualidade, mas fiel ao gênero popular que tanto agrada a seu público. Nenhum crítico, no entanto deixou de reconhecer seu extraordinário potencial vocal e embora tenha dado preferência a boleros, gravou sambas, fados, tangos, marchinhas, samba-canção e outros ritmos mais. Não à toa, Ângela Maria é conhecida por avós e netos, o que comprova sua posição de grande dama da canção popular do Brasil.

O sucesso de Ângela Maria a levou a contatos com importantes homens da política. Juscelino Kubitschek, João Goulart e  Jânio Quadros pegaram carona no seu prestígio em campanhas e propagandas de governo. Do presidente Getúlio Vargas, notório apreciador de cantoras e vedetes, ganhou o apelido que a acompanharia para sempre: “Sapoti”. Segundo ele, porque era essa uma fruta da cor da morena e doce como sua voz.

Na vida pessoal Ângela Maria teve uma existência conturbada. Teve sete maridos, todos transformados em seus empresários e nem sempre merecedores de sua confiança. O mais dramático deles foi o arquiteto Rodolfo Valentino, por quem, confessa, foi traída e roubada. Depois de tentativas frustrada para ser mãe, Ângela Maria adotou quatro bebês e, finalmente, encontrou num jovem dono de restaurante, Daniel,  o homem com quem ficaria em definitivo. Depois de 33 anos de união, em 13 de maio de 2012, no dia do seu aniversário de 84 anos, e ele com 51 anos, Ângela e Daniel se casaram oficialmente, no civil e na igreja.

Com mais de 100 discos gravados,  600 troféus, mais de 3 mil faixas, duas dezenas de filmes, quatro discos de ouro, 60 milhões de discos vendidos, Ângela Maria é uma das mais consagradas estrelas da MPB, tendo influenciado cantoras do porte de Elis Regina, Gal Costa e Maria Bethânia, todas confessadamente suas fãs. Segundo ela, se não fossem os roubos dos empresários, estaria hoje muito rica. Consta que chegou a cantar para 150.000 pessoas na República Dominicana, onde se consagrou com a música Terra Seca, de Ary Barroso.  Além do Brasil, Ângela Maria fez muitos shows em Portugal, Argentina, Uruguai, México, sempre com enorme sucesso.

Em 1994 foi Homenageada pela Escola de Samba Paulistana "Rosas de Ouro", com o Enredo "Sapoti". Por desentendimentos de última hora com os diretores da escola, a cantora não participou do desfile, sendo substituída no Carro Alegórico em que desfilaria por uma figurante. Apesar disso, a escola, com seu belíssimo desfile, foi a Campeã do Carnaval de São Paulo naquele ano. 


Ângela Maria, próximo dos 90 anos de idade, continua se apresentando em shows pelo país afora, provando porque é a nossa maior cantora popular de todos os tempos. Aqui um pouco da trajetória.  Boa viagem!

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Ângela Maria e Carmem Miranda

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Ângela Maria e Cauby Peixoto

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Ângela Maria 

Ângela Maria com Braguinha 

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Ângela Maria recebendo um Disco de Ouro do presidente da Gravadora Copacabana no Programa Clube dos Artistas, apresentado por Ayrton Rodrigues

Ângela Maria num Show com Agnaldo Rayol

Ângela Maria e Cauby Peixoto

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Ângela Maria e Cláudia Barroso

Ângela Maria e Cláudia Barroso

Ângela Maria no Clube dos Artistas

Ângela Maria com Consuelo Leandro na novela Cambalacho (TV Globo)

Ângela Maria com Cauby Peixoto e Emilinha Borba

Ângela Maria com os compositores Evaldo Gouveia e Jair Amorim

Ângela Maria com João Bosco no Programa Grandes Nomes (TV Globo)

Ângela Maria com o Presidente Juscelino Kubitschek

Ângela Maria com o cantor Jamelão

Ângela Maria e Agnaldo Timóteo

Ângela Maria e Agnaldo Timóteo

Ângela Maria e Wanderley Cardoso

Ângela Maria no casamento com Rodolfo Valentino

Ângela Maria e outro de seus maridos: Valdemar Chirichin

Ângela Maria e Wanderley Cardoso

Ângela Maria e uma de suas filhas

Ângela Maria e uma de suas filhas

Ângela Maria e uma de suas três filhas
Ângela Maria e uma de suas três filhas

Ângela Maria no aniversário de seu filho

Ângela Maria e uma de suas filhas

Ângela Maria e suas três filhas

Ângela Maria e suas três filhas

Ângela Maria e uma fã. A cantora sempre desencorajou a criação de fã-clubes

Ângela Maria e seus quatro discos de ouro
Ângela Maria 

Ângela Maria

Ângela Maria 

Fotos - acervo de Orias Elias - revistas Amiga (Bloch Editores), Contigo (Editora Abril), Sétimo Céu (Bloch Editores), Ilusão (Editora Abril), Romântica (Editora Vecchi), Melodias  (Editora APA), Manchete (Bloch Editores), Cartaz (Rio Gráfica e Editora SA), Intervalo (Editora Abril), O Cruzeiro, sites diversos da Internet